Olá pessoal,
Hoje venho compartilhar com vocês uma lenda que conheci há pouco tempo. Mas que muito me emocionou. Contei para meus alunos da Educação infantil e eles adoraram o desfecho da história!
Parece longa mas a leitura é fluente!
Não deixem de ler
A LENDA DO GIGANTE ADORMECIDO
Era uma vez, repousando entre os braços maternos da Serra da
Mantiqueira, um vale maravilhoso habitado por uma tribo dos índios puri. O nome
puri significa “gente mansa, pacífica”, e, em harmonia com tal nome, eles
viviam ali em plena paz uns com os outros e com a natureza.
No centro da aldeia ficava uma grande pedra, considerada
sagrada pelos puris. Chamavam-na “iñan”. E não poderia ser mais simbólico, pois “iñan” significa
“mãe”. Sobre a pedra-mãe costumavam abater suas caças e preparar seus
alimentos, e ao redor dela se reuniam para comer e festejar.
Também nas reuniões da assembléia indígena, o
velho cacique sentava sobre a pedra sagrada e de lá, com sua notória sabedoria
adquirida no decurso de muitas épocas, aconselhava acerca das questões trazidas
pelo povo.
Foi numa dessas reuniões que o cacique, o qual há
muitas luas andava calado e pensativo, revelou à tribo o motivo de sua grande
preocupação:
Tendo conversado com respeitados irmãos de outras
tribos, tomara conhecimento de uma grande ameaça que pairava sobre o vale.
Tratava-se de uma cruel e desconhecida tribo, que vinha causando terror por
onde passava.
Era uma gente de pele branca
e hábitos bárbaros, que abria caminho derrubando árvores e queimando as matas.
Poluíam com seus lixos os rios, e, aos animais, matavam não só para comer, mas
às vezes por puro prazer.
Muitas tribos numerosas
dotadas de poderosos guerreiros já haviam sido dizimadas pelos invasores. Em
seu avanço indomável em busca de ouro e riquezas, inevitavelmente chegariam ao
lar da pequena e indefesa tribo puri.
Os índios não dormiram naquela noite. Acostumados a
encarar de frente todos os perigos das matas, intimidavam-se agora prestes a
enfrentar um bicho novo e atemorizante. Um bicho feroz e voraz chamado...
bandeirante.
Poucas luas depois, a profecia se concretizou. Eles
vieram com suas armas poderosas, carregando um grande baú recheado de ouro e
diamantes, o qual, na sua insaciável ganância, só queriam aumentar mais e mais.
Aos indefesos nativos, a bandeira escravizou, e
para as minas levou, obrigando-os a trabalhar na extração de ouro para
abastecer seu tesouro.
O líder dos bandeirantes era mais cruel do que
todos os outros. Os índios o chamaram Ponã, que na língua puri significa onça,
o bicho mais traiçoeiro da mata.
Enquanto os demais
forasteiros estavam apenas cegados pela cobiça do ouro, este um parecia mesmo
gostar de fazer maldades. Ria-se ao assistir os nativos serem punidos por
qualquer rebeldia, gargalhava ao ver os índios velhos se encurvarem sobre o
peso das picaretas, divertia-se com o desespero das índias chorando o castigo
de seus curumins fraquinhos e a perda de seus maridos, tombados pelo cansaço.
E, sem nada poder fazer para se livrar, os índios
resignavam-se em orar ao seu deus sol e à deusa lua. Clamavam ao raio e ao
trovão.
Um dia, Ponã, o bandeirante mal, tentou castigar um
curumim faminto que lhe roubara um pedaço de carne, mas o indiozinho correu
tanto e foi parar nos recônditos da mata, onde ninguém nunca havia ido.
Lá, o espantado curumim deparou com um índio gigante,
que dormia despreocupado deitado à sombra da serra.
O curumim pisou num galho seco e o gigante acordou.
- Que fazes nos meus domínios, ó pequenino?
O gigante não parecia mal. O curumim contou-lhe a
desgraça de seu povo, mas aquele se mostrou indiferente ao seu sofrimento.
“Sou o último remanescente de minha tribo”,
respondeu o gigante, “Há muito vivo aqui, na montanha, escondido e só. As
questões alheias não me interessam. Agora vá embora, pois não quero perder
minha paz.”
Mas o curumim derramou uma lágrima tão pura que o
coração do gigante se enterneceu. Colocando o indiozinho sobre o ombro direito,
saiu marchando rumo ao acampamento dos bandeirantes determinado a acabar com a
razão do seu choro.
Os invasores tremeram as pernas quando o viram, foi
uma correria só. Mas, parecendo temer mais os gritos furiosos de seu líder do
que o próprio gigante, pegaram suas espingardas, como Ponã lhes ordenava, e
puseram-se a disparar contra o oponente, em direção à sua cabeça enorme.
Ignorando os tiros, o grandalhão arrancou uma
árvore e com ela golpeou Ponã, que foi arremessado longe e, quando caiu, não
levantou mais.
Bastou derrubar o líder e lá se foi a coragem dos
expedicionários. Na pressa de fugir, deixaram para trás até o baú do tesouro,
pois suas vidas valiam mais do que o ouro.
Libertos do cativeiro, os puris convidaram seu
salvador a ir com eles até a aldeia. Lá, em homenagem ao novo amigo, ofereceram
um grande banquete que durou muitos dias e noites . E ao redor da iñan, a
pedra-mãe, dançavam a dança dos puris, cantando a derrota do homem branco e
louvando a coragem do seu gigante herói. Chamaram-no Lakaré Xatã, que significa
braço amigo.
Entre as comemorações, o velho cacique decidiu
esconder o tesouro, pois outros poderiam vir à sua procura. O gigante se ofereceu
para a tarefa. Já caía a noite quando Lakaré Xatã penetrou na mata escura
levando o pesado baú. Os índios esperaram até alta madrugada, mas de lá ele não
voltou mais.
Na manhã seguinte, a serra estava mais linda do que
nunca, mas nela havia algo diferente: em certo ponto, a Mantiqueira agora
exibia os contornos perfeitos da silhueta de um homem, um homem imensamente
grande, um gigante, deitado tão tranquilamente como o mais dócil puri.
Uns índios diziam que o gigante fora ferido pelos
tiros, sim (só não se viu o sangue devido à enorme distância entre sua cabeça e
o chão), e que fora embora para que seus amigos puris não o vissem morrer. Mas
tombou lá na serra, onde seu corpo, em vez de se decompor, virou rocha
instantaneamente, desenhando na montanha um novo e perene contorno. Ainda
outros afirmavam que o Lakaré Xatã partira ileso, ansioso de voltar à sua
existência solitária. Mas, diante da ameaça do ataque de outros bandeirantes,
sua preocupação com os novos e diminutos amigos o fez ficar. Deitou-se sobre a
serra, e lá passou a dormir o sono imenso dos gigantes, pronto a despertar
quando novamente os índios e a mata corressem perigo.
E, desde aquele episódio, lá, onde hoje fica o bar
da pedra, a aldeia passou a se reunir todas as noites ao redor da pedra-mãe,
onde os índios mais velhos não se cansavam de contar aos indiozinhos a história
de seu gigante amigo, para não deixar morrer a memória daquele ser especial. A
cada noite em que a história era contada, os curumins iam dormir sonhando com
aquela tamanha aventura, e, ao acordar de manhã ao canto dos pássaros, olhavam
enternecidos para a serra, onde, entre as fendas e picos, para sua surpresa e
deleite, por um breve instante, o Gigante Adormecido parecia sorrir.
O tesouro continua lá até hoje, no Vale do Gigante,
escondido em algum lugar.
Bahia de Guanabara do Rio de janeiro
Pedra da gávea - cabeça
Pão de açúcar - os pés
Espero que tenham gostado!
Abraço a todos!
Vanessa Vieira


















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Nossa que história maravilhosa
ResponderExcluirLegal a lenda! Gostaria de saber o que tem a Pedra da Gávea e o Maciço da Tijuca e os morros do Pão de Açúcar com a Mantiqueira? Minha pergunta é sincera, não é crítica! Isto porque conheço pouco de Geografia. Grato!
ResponderExcluirO que vou contar, as vezes nem eu mesmo acredito. Hoje, 6/4/2017, estou com 76 anos e se houver algum comentário debochado, vou entender. Não bebo, não fumo e não uso droga. Não gravei o dia e nem a hora do que aconteceu comigo, aprox. no ano de 1995. Eu dirigia meu carro pela Rio Santos, saindo de Angra com destino ao Rio, com minha mulher, meus netos, todos crianças de aprox. a idade de 12 anos. Todas as crianças estavam dormindo no banco trazeiro do carro. De repente, sorgiu, saindo da mata, a esquerda da estrada, uma criatura gigantesca, com aprox., o tamanho de um prédio de 30 andares. A criatura parecia ser de pedra e, com uma só passada, cruzou a Rio Santos na frente do meu carro e sumiu do outro lado da estrada, em direção ao mar. Eu e minha mulher, ficamos paralizados e minhas pernas tremiam. Certa ocasião, acho que no ano de 2010, não sei ao certo, passou na tv, uma propaganda com exatamente a criatura que me assustara no ano de 1995. Era a mesma criatura de pedra que, com uma larga passada, atravessou na frente do meu carro e sumiu do outro lado da pista, em direção ao mar. Pesquisei na internet, logo que vi a propaganda. É uma lenda da tribo dos Tamoios. Eu garanto e juro por DEUS que é um acontecimento sobrenatural. veridico, que não encontro esplicação. Só garanto que é a pura verdade, que assustou, a mim e a minha mulher. Isso realmente não tem explicação
ResponderExcluirOlá Sérgio! Não desacredito do que você está falando. Acho que nesta vida tudo é possível e a gente só pensa que conhece este mundo. Fico grata por seu comentário e pela visita!
ExcluirAbraço!
Olá. Obrigado por publicar a história. Aqui quem escreve é Marcos Antônio Melo, o autor. Gostaria de esclarecer porém apenas um detalhe: a história não diz respeito à Pedra da Gávea, embora aquela também talvez se encaixasse bem no contexto. Mas esta lenda homenagenageia na verdade o maravilhoso Gigante Adormecido, ou Pico do Itaguaré, localizado no município de Cruzeiro-SP. Vale a pena conhecer. Abraços.
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